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Quais as diferenças das diretrizes internacionais em relação ao manejo da Doença Arterial Periférica?

Eduardo Sansolo
Escrito por Eduardo Sansolo

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A edição de 4 de Dezembro do JACC (Journal of the American College of Cardiology) trouxe uma análise comparativa sobre as diretrizes americana (AHA/ACC) e europeia (ESC/ESVC) sobre o diagnóstico e tratamento da Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP), com especial ênfase nas discordâncias dos dois documentos.

Na última década, tivemos a publicação de vários estudos sobre o manejo da DAOP, o que levou à revisão das diretrizes sobre a doença das principais sociedades. Em 2016, a American Heart Association (AHA) e o American College of Cardiology atualizaram a sua diretriz de 2005, enquanto em 2017 a European Society of Cardiology (ESC) junto com a European Society of Vascular Surgery (ESVC) fizeram o mesmo com sua diretriz de 2011.

As principais diferenças consistem no foco dado pela diretriz e no público-alvo. Enquanto a diretriz americana consistiu numa revisão aprofundada sobre a DAOP exclusivamente dos membros inferiores e voltadas para médicos generalistas, a diretriz europeia abrangeu, superficialmente, toda doença aterosclerótica vascular não-coronariana e foi endereçada a cardiologistas, primariamente.

Segue abaixo uma tabela comparativa com similaridades e discordâncias das duas diretrizes:

Similaridades           ACC/AHA ESC/ESVC
Diagnóstico Recomendam contra uso de métodos de imagem como primeira ferramenta diagnóstica. Estes devem ser precedidos pelo Índice Tornozelo-Braço nos pacientes suspeitos de serem portadores de DAOP.
Redução dos fatores de risco e tratamento clínico Abolir tabagismo, uso de estatina, controle da hipertensão e da glicemia, reabilitação com exercícios físicos supervisionados, antiagregação plaquetária

Discordâncias ACC/AHA ESC/ESVC
Foco Revisão aprofundada sobre a DAOP exclusivamente de membros inferiores Abrangência de todos territórios não-coronarianos da doença vascular aterosclerótica
Público-Alvo Médicos em geral Cardiologistas
Método Incluiu estudos menores não-randomizados, desde que bem desenhados (67 estudos) Apenas estudos randomizados, sendo os menores nível de evidência C (18 estudos)
Antiagregação sintomáticos Aspirina = Clopidogrel para redução de eventos cardiovasculares Clopidogrel > Aspirina para redução de eventos cardiovasculares
Antiagregação assintomáticos Aspirina ou Clopidogrel se ITB anormal (Classe IIa) ou borderline (Classe IIb) Não recomenda antiagregação para pacientes assintomáticos
Manejo da Claudicação Intermitente Cilostazol (Classe I) Não recomenda cilostazol (falta de evidência clínica)
Revascularização Ênfase no acompanhamento pós-operatório e cuidado da ferida Maior atenção às várias técnicas e estratégias de revascularização

Referências bibliográficas:

Aaron P. Kithcart, Joshua A. Beckman et al. ACC/AHA Versus ESC Guidelines for Diagnosis and Management of Peripheral Artery Disease. Journal of the American College of Cardiology 2018; 72 (22): 2789-801

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