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Consumir avocado diariamente pode reduzir colesterol?

Escrito por Juliana Gropp

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O avocado, do ponto de vista nutricional, é muito semelhante ao abacate, mais consumido por nós, brasileiros. São frutas ricas em fibras e em ácido graxo oleico, uma gordura monoinsaturada. Estudos observacionais mostraram que consumir avocado frequentemente poderia estar associado a peso corporal e circunferência abdominal (CA) menores, além de reduzir a prevalência de síndrome metabólica. Adicionar avocado nas refeições também pode aumentar a saciedade e prolongar o tempo de início da fome. Dessa maneira, um estudo procurou determinar o impacto do consumo de avocado nos níveis sanguíneos de colesterol LDL.

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O HAT Trial (Habitual Diet and Avocado Trial) foi um estudo multicêntrico randomizado que avaliou se a inclusão diária de um avocado grande, mantendo-se a alimentação habitual durante 6 meses, diminuiria a adiposidade visceral. Neste trabalho, todos os participantes deveriam ter CA elevada no início do estudo (≥ 102 cm para homens e ≥ 88 cm para mulheres). A idade média foi de 50 anos e 72% eram mulheres. Foram acompanhados 1008 indivíduos que foram randomizados entre dieta suplementada com avocado versus dieta habitual.

O grupo intervenção foi orientado apenas a incluir um avocado grande por dia e manter o restante da sua alimentação como de costume. Não foram feitas outras orientações nutricionais e havia pouco contato com os pesquisadores no período de estudo. O grupo dieta habitual não recebeu nenhuma intervenção. A dieta foi avaliada através de recordatórios alimentares de 24h em 4 momentos: início, semana 8, semana 16 e semana 26.

A gordura abdominal foi medida por ressonância magnética na randomização e no término do estudo. Esta técnica consegue determinar o volume de tecido adiposo abdominal através de imagens 3D do abdômen que permitem quantificar até mesmo pequenas porções de gordura. Além disso, os participantes foram avaliados quanto à qualidade de vida e foram coletados: colesterol total, HDL-C, LDL-C, triglicérides, PCR, insulina e glicose sanguíneos.

Ao final do estudo, foi visto que consumir um avocado por dia por 6 meses não trouxe diferença significativa entre os grupos nos desfechos secundários de: fração de gordura hepática, inflamação sistêmica (PCR), e componentes da síndrome metabólica (IMC, CA, PA sistólica e diastólica, triglicérides, glicose, insulina e HDL-C). Entretanto,  níveis de colesterol total e LDL-C foram menores no grupo que consumiu avocado (2,9 [P=0.026] e 2.5 mg/dL [P=0.038], respectivamente), em relação ao grupo dieta habitual.

Como era esperado, a avaliação da dieta dos participantes mostrou que o grupo que consumiu avocado ingeriu mais calorias do que o grupo controle. A diferença foi de 117 kcal/dia, mas o interessante é que a despeito do acréscimo diário de energia, não houve mudança no peso corporal. Como um avocado grande contém cerca de 280 kcal, conclui-se que, de alguma forma, houve compensação intuitiva na alimentação desses indivíduos. E, na análise final da dieta, realmente verificou-se redução no consumo de carboidratos e proteínas, ao passo que as calorias extras eram provenientes de gorduras.

A diminuição nos níveis de colesterol total e LDL-C poderia ser explicada pelo consumo mais alto de fibras no grupo intervenção (1 avocado contém 3,3g de fibras solúveis), o que possivelmente provocou mudança positiva na composição da microbiota intestinal. O avocado também é fonte de fitosteróis, que competem com o colesterol na absorção intestinal.

Este foi um estudo muito bem desenhado e que fez análises precisas dos parâmetros avaliados. Apesar de parecer simples, a mensagem mais importante é que, mais uma vez, foi demonstrado que não basta apenas mudar um alimento ou nutriente na dieta. Para se obter resultados significativos em adiposidade visceral e fatores cardiometabólicos, é preciso mudar o padrão alimentar como um todo.

 

Fonte: Lichtenstein, Alice H., et al. “Effect of Incorporating 1 Avocado Per Day Versus Habitual Diet on Visceral Adiposity: A Randomized Trial.” Journal of the American Heart Association 11.14 (2022): e025657. (https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/JAHA.122.025657?url_ver=Z39.88-2003&rfr_id=ori:rid:crossref.org&rfr_dat=cr_pub%20%200pubmed)

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