Insuficiência Cardíaca Prevenção

Que vacinas o seu paciente com insuficiência cardíaca precisa receber?

Jefferson Vieira
Escrito por Jefferson Vieira

As infecções respiratórias, como pneumonia e gripe, estão associadas com maior risco de morte e hospitalização em doentes com insuficiência cardíaca (IC), especialmente nos idosos. As diretrizes recomendam vacinação contra o vírus da gripe, Influenza (anualmente) e contra o Pneumococo (a cada 5 anos ou a cada 3 anos em doentes com IC avançada), sobretudo nas localidades de invernos rigorosos.

O mecanismo proposto de cardioproteção da vacina parece estar relacionado não só com a prevenção da infecção e de suas complicações, mas também com a modulação imunoinflamatória que leva à aterosclerose. Embora não existam ensaios clínicos randomizados de vacinação em pacientes com IC, alguns estudos observacionais já demonstraram seu benefício. Os resultados desses estudos são considerados inconsistentes devido, em parte, a limitação no tamanho amostral e ao potencial viés do “usuário saudável”. Nesse caso, alguns autores sugerem que indivíduos vacinados apresentam um comportamento promotor de saúde que afeta não só a vacinação, mas também a atividade física, a nutrição, o cuidado pessoal e milhares de outras decisões diárias que não são facilmente isoladas numa análise estatística.

Uma meta-análise japonesa, apresentada recentemente no ACC.2018, avaliou 5 estudos de coorte envolvendo 78.882 idosos portadores de IC acompanhados por um período de 1 a 4 anos. Nesse estudo, a vacinação contra o Influenza reduziu em 48% o risco de morte por todas as causas durante a temporada de gripe e em 21% durante o restante do ano. A vacinação também reduziu em 22% o risco de hospitalização cardiovascular.

A análise post-hoc do PARADIGM-HF aponta resultados semelhantes ao da meta-análise japonesa, com redução de 19% do risco de morte por todas as causas em indivíduos vacinados contra o Influenza. Esta análise também apresentou a prevalência da vacinação contra a gripe em doentes com IC ao redor do mundo, com taxas de até 80% na Holanda e Reino Unido, 10 a 30% no Brasil, Eslováquia, e Coréia e menos de 2% na China, Rússia e Bulgária.

  • Atenção: não confundir o vírus da gripe, Influenza, com a Haemophilus influenzae, bactéria cocobacilar Gram negativa e aeróbia. Vacinas eficazes para a Haemophilus influenzae tipo B estão disponíveis desde o início da década de 1990, e são recomendadas para crianças e indivíduos esplenectomizados.

Com relação ao Pneumococo, a informação é ainda mais escassa e os estudos observacionais disponíveis apresentam resultados controversos. Nos estudos em que os resultados foram positivos, o benefício da vacinação começa a aparecer após o segundo ano, sendo impulsionado principalmente pelo impacto na população de idosos e coronariopatas.

  • Nota: Após o transplante cardíaco, vacinas com agente inativo são seguras após 3 a 6 meses do procedimento, enquanto que aquelas com agente vivo atenuado devem ser evitadas. Nesses indivíduos, vacinas como a BCG e a MMR são contraindicadas.

Fukuta H, Ohte N. The effect of influenza vaccination on mortality and hospitalization in patients with heart failure: a meta-analysis. JACC. 2018; 71 (11 Supplement) A904.

Ciszewski A. Cardioprotective effect of influenza and pneumococcal vaccination in patients with cardiovascular diseases. Vaccine. 2018;36(2):202-6.

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Sobre o autor

Jefferson Vieira

Jefferson Vieira

Residência em Cardiologia pelo Instituto de Cardiologia/RS
Especialista em Cardiologia pela SBC
Especialista em Insuficiência Cardíaca e Transplante Cardíaco pelo InCor/FMUSP
Doutor em Cardiologia pela FMUSP
Médico-assistente do programa de Insuficiência Cardíaca e Transplante Cardíaco do Hospital do Coração de Messejana

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