Miscelânia

Você sabe que medicações cardiovasculares podem causar pancreatite?

Carlos Eduardo Soares

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Pancreatite aguda é uma causa frequente de admissões hospitalares, responde por cerca de 26.000 casos por ano no Reino Unido. Pode ser considerada recorrente após dois ou mais episódios documentados de pancreatite.

Como se sabe, a maioria dos casos é causada por litíase biliar ou álcool, contudo, aproximadamente 20% dos casos tem etiologia incerta após investigação “de rotina”.

O Colégio Americano de Gastroenterologia considera, em seu guideline de 2013, que os casos com etiologia indeterminada após história clínica, exames laboratoriais (triglicerídeo, cálcio) e exames de imagem (USG e TC de abdome) devem ser considerados idiopáticos e, idealmente, encaminhados para centros especializados.

Há de se observar a importância de uma investigação etiológica adequada desde o primeiro episódio de pancreatite aguda, infelizmente observamos casos em que tal investigação ou mesmo o diagnóstico inicial de pancreatite não foram feitos de forma adequada, o que pode levar a tratamentos inadequados e prejuízo ao paciente e o sistema de saúde. Vale ainda lembrar que colelitíase, ingesta de álcool e uso de medicações potencialmente envolvidas são prevalentes na população geral e podem ser fatores de confusão e, não necessariamente, a causa da doença.

DICA: 

  • Algumas medicações cardiovasculares já foram imputadas como causa de pancreatite aguda. Exemplos: furosemida, hidroclorotiazida, enalapril, sinvastatina

Ou seja, o “feijão com arroz” do cardiologista. Importante ficar de olho.

Nos exames laboratoriais considerar a hipertrigliceridemia (principalmente acima de 1000 mg/dL), hipercalcemia, elevaçao de ALT acima de duas ou três vezes o valor normal ou ALT maior que a AST (sugere etiologia biliar).

USG de abdome deve ser feito em todos os casos de pancreatite aguda, caso o inicial tenha sido dificultado por excesso de gases ou inflamação local, repetir em melhor momento. TC de abdome como investigação etiológica pode ser utilizada em pacientes com mais de 40 anos, na ausência de outras causas, objetivando excluir neoplasia.

Estudo genético, ecoendoscopia e RNM de vias biliares com ou sem estímulo de secretina são usualmente realizados nos casos considerados idiopáticos. Dentre estes e ecoendoscopia possui melhor acurácia, podendo esclarecer mais de 60% dos casos.  

Vale ressaltar que não há consenso quanto a melhor forma de investigação e tratamento de pacientes com PA recorrente idiopática, sendo de fundamental importância o acompanhamento por profissionais familiarizados com a doença, visto que a condução diagnóstica e terapêutica são caras, controversas e com potencial dano ao paciente, particularmente em relação ao uso de técnicas endoscópicas invasivas como, por exemplo, CPRE, esfincterotomia e passagem de stents.

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