Por que é necessário realizar ecocardigrama transesofágico antes de valvoplastia mitral percutânea?

Dica: sempre que estiver considerando a possibilidade de tratar estenose mitral com a realização de valvoplastia mitral percutânea, solicite ecocardiograma transesofágico antes. Por quê? A estenose mitral é um dos principais fatores de risco para o surgimento de trombos no interior do átrio esquerdo (AE). Qual o local mais frequente de surgimento de trombos no AE? Já vimos isto em outro tópico – no apêndice atrial esquerdo! E o que isto tem a ver com a valvoplastia percutânea? Neste procedimento o catéter entra pelo sistema venoso, atinge o átrio direito e fura o septo interatrial para chegar ao átrio esquerdo. Ou seja, se houver trombos no interior do AE, o catéter pode deslocá-los e causar um evento embólico durante o procedimento. Lembrar da regra básica da medicina – primum non nocere, ou seja, antes de qualquer coisa não cause o mal. 

Abaixo segue exemplo de paciente com estenose mitral importante com trombo volumoso no apêndice atrial esquerdo. Notem a presença de estase sanguínea no interior do AE. Esta pode ser vista como uma "nuvem" no interior do AE e denota presença de baixo fluxo sanguíneo no AE. Como sabemos, baixo fluxo predispõe à formação de trombos.

Resumo:

- local mais comum de formação de trombos no AE – apêndice atrial esquerdo

- planejou fazer valvoplastia mitral percutânea = solicitar ete para descartar trombos no AE

- trombo em AE = contraindicação à realização de valvoplastia mitral percutânea

- descrição de estase ou fluxo lento de sangue no AE no laudo do ecocardiograma – saber que este pcte tem risco aumentado de ter trombos no AE

Como diagnosticar sobrecarga de átrio direito pela derivação V1?

Dica: se fase positiva da onda P em V1 for > ou = 1,5 mm – dá-se o diagnóstico de sobrecarga de átrio direito (SAD). Segue exemplo abaixo:

ebstein2 Como diagnosticar sobrecarga de átrio direito pela derivação V1?

Trata-se de ecg de paciente com Anomalia de Ebstein, doença na qual normalmente há SAD pronunciada.

Digoxina aumenta a mortalidade em pacientes com FA?

FA tira(3) Digoxina aumenta a mortalidade em pacientes com FA?

A digoxina continua sendo muito utilizada para controle de frequência cardíaca em pacientes com fibrilação atrial (FA), apesar das evidências de segurança e eficácia dessa droga serem limitadas.

Estudo publicado recentemente no JACC analisou os dados do TREAT-AF (The Retrospective Evaluation and Assessment of Therapies in AF) – pacientes acompanhados de 2004 a 2008 em um sistema de saúde norte-americano (Veterans Affairs). Foram avaliados pacientes com FA não valvar recentemente diagnosticados que passaram em reavaliação ambulatorial em 90 dias.

Foram no total 122.465 pacientes; desses, 28.679 pacientes (23,4%) receberam digoxina.

A taxa de mortalidade foi maior no grupo tratado com digoxina, comparado com o grupo que não recebeu essa droga (95 vs 67 por 1000 pessoas-ano; p < 0,001).

O uso da digoxina foi associado independentemente com uma maior mortalidade (HR 1,26), mesmo após ajuste para idade, sexo, presença de insuficiência cardíaca, disfunção renal ou uso concomitante de beta-bloqueadores, amiodarona ou varfarina.

Estudos prospectivos ainda são necessários para confirmar esses achados, mas por enquanto, seria prudente procurar alternativas ao uso da digoxina para controle de FC em pacientes com FA.

Na última diretriz brasileira de FA, a digoxina tem indicação classe I para controle de FC em repouso de pacientes com FA e disfunção ventricular e em indivíduos sedentários, e classe IIa em combinação com beta-bloqueadores ou bloqueadores de canal de cálcio não-dihidropiridínicos para controle de FC em repouso e durante o exercício.

Referência: Turakhia MP, Santangeli P, Winkelmayer WC, et al. Increased Mortality Associated With Digoxin in Contemporary Patients With Atrial Fibrillation. Findings From the  TREAT-AF Study. J Am Coll Cardiol 2014;64(7):660-668.

No novo guideline da AHA, qual a única indicação classe I de betabloqueadores no perioperatório de cirurgia não cardíaca?

Cardiopapers FUNDO TRANS plastico e1406999343985 No novo guideline da AHA, qual a única indicação classe I de betabloqueadores no perioperatório de cirurgia não cardíaca?

Resposta: pctes que já fazem uso crônico, bem indicado, da medicação (ex: pctes com história de IAM).

Com esta exceção, basicamente todas as outras indicações de betabloqueadores neste contexto são classe IIb, ou seja, baixo grau de recomendação.

Qual a indicação classe III (não deve ser feito)? Iniciar a medicação no dia da cirurgia. Como mostrou o estudo POISE, isto aumenta o risco de eventos adversos como hipotensão arterial e AVCi. 

pixel No novo guideline da AHA, qual a única indicação classe I de betabloqueadores no perioperatório de cirurgia não cardíaca?

Maior blog de cardiologia destinado à comunidade médica com amplo conteúdo de atualização, literatura médica, discussão de casos clínicos, cursos, dicas à beira leito e muito mais.