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Como diferenciar se uma onda T invertida é de origem isquêmica ou não?

Há várias doenças que causam inversão da onda T no eletrocardiograma (ECG). Entre as principais causas estão a doença arterial coronária (DAC) além de outras patologias de origem não isquêmica (ex: sobrecarga de ventrículo esquerdo, tromboembolismo pulmonar). De forma prática, como diferenciar se uma onda T invertida é de origem isquêmica ou não?

DICA: quando a onda T invertida for simétrica, ou seja, a parte descendente e ascendente tiverem duração similares, pensar em coronariopatia como causa. Já se a onda T for assimétrica (parte descendente mais lenta do que a parte ascendente), pensar em outras etiologias. 

Exemplos:

Paciente com infarto sem supra de ST:

onda t 2 Como diferenciar se uma onda T invertida é de origem isquêmica ou não?

Paciente com sobrecarga de ventrículo esquerdo:

onda t 3 Como diferenciar se uma onda T invertida é de origem isquêmica ou não?

 

Como diagnosticar sobrecarga de átrio direito pela derivação V1?

Dica: se fase positiva da onda P em V1 for > ou = 1,5 mm – dá-se o diagnóstico de sobrecarga de átrio direito (SAD). Segue exemplo abaixo:

ebstein2 Como diagnosticar sobrecarga de átrio direito pela derivação V1?

Trata-se de ecg de paciente com Anomalia de Ebstein, doença na qual normalmente há SAD pronunciada.

Quais as alterações que a hipotermia pode causar no eletrocardiograma?

A hipotermia pode causar uma série de alterações no ecg. Entre elas, as principais são:

1- ondas J ou O (de "Osborn")

2- Bradicardia

3- Aumento do Qt

O que são as ondas J? Trata-se de um entalhe no final do QRS que pode causar um alongamento do mesmo. 

Ondas J = hipotermia? Não!!!! Outras patologias podem causá-las como a hipercalcemia e mesmo variações de repolarização precoce. 

Um ótimo exemplo de ondas J pode ser visto no ecg abaixo.

hipotermia Quais as alterações que a hipotermia pode causar no eletrocardiograma?Nota-se também bradicardia (frequência cardíaca ao redor de 50 bpm).

O ecg seguinte, já com a temperatura mais elevada, mostra elevação da FC e desaparecimento das ondas J.

hipotermia depois daiane colman Quais as alterações que a hipotermia pode causar no eletrocardiograma?

Imagens gentilmente cedidas pela Dra Daiane Colman Cassaro.

Quando suspeitar de derrame pericárdico/tamponamento cardíaco pelo eletrocardiograma?

Dica: achado que sugere derrame pericárdico significante no ecg = baixa voltagem difusa. Isto ocorre porque entre os eletrodos colocados na pele do paciente e o miocárdio há líquido. Para dizermos que há baixa voltagem no ecg, o critério que utilizamos é complexos QRS com não mais do que 5 mm em derivações periféricas e com não mais que 10 mm nas derivações precordiais. Exemplo a seguir:

 Quando suspeitar de derrame pericárdico/tamponamento cardíaco pelo eletrocardiograma?

Nos casos em que o derrame pericárdico causa tamponamento cardíaco podemos observar o fenômeno de alternância elétrica. O que é isso? A amplitude dos complexos QRS fica mudando de batimento para batimento. Exemplo:

ecg2 Quando suspeitar de derrame pericárdico/tamponamento cardíaco pelo eletrocardiograma?

Para ver com maiores detalhes esta variação de amplitude do QRS podemos observar o zoom da derivação V4:

ecg1 Quando suspeitar de derrame pericárdico/tamponamento cardíaco pelo eletrocardiograma?

E por que isto ocorre? Basta lembrar do post que já colocamos sobre swinging heart. Como o coração fica balançando de um lado para o outro dentro do saco pericárdico, isto faz com os complexos QRS registrados fiquem variando de amplitude.
Exemplo de ecocardiograma:

OBS: imagens gentilmente cedidas pelo Dr Eduardo Alberto Castro Roque – especialista em cardiologia pelo Incor_HCFMUSP.

pixel Quando suspeitar de derrame pericárdico/tamponamento cardíaco pelo eletrocardiograma?