Arquivo da categoria: ECG

Quando suspeitar de derrame pericárdico/tamponamento cardíaco pelo eletrocardiograma?

Dica: achado que sugere derrame pericárdico significante no ecg = baixa voltagem difusa. Isto ocorre porque entre os eletrodos colocados na pele do paciente e o miocárdio há líquido. Para dizermos que há baixa voltagem no ecg, o critério que utilizamos é complexos QRS com não mais do que 5 mm em derivações periféricas e com não mais que 10 mm nas derivações precordiais. Exemplo a seguir:

 Quando suspeitar de derrame pericárdico/tamponamento cardíaco pelo eletrocardiograma?

Nos casos em que o derrame pericárdico causa tamponamento cardíaco podemos observar o fenômeno de alternância elétrica. O que é isso? A amplitude dos complexos QRS fica mudando de batimento para batimento. Exemplo:

ecg2 Quando suspeitar de derrame pericárdico/tamponamento cardíaco pelo eletrocardiograma?

Para ver com maiores detalhes esta variação de amplitude do QRS podemos observar o zoom da derivação V4:

ecg1 Quando suspeitar de derrame pericárdico/tamponamento cardíaco pelo eletrocardiograma?

E por que isto ocorre? Basta lembrar do post que já colocamos sobre swinging heart. Como o coração fica balançando de um lado para o outro dentro do saco pericárdico, isto faz com os complexos QRS registrados fiquem variando de amplitude.
Exemplo de ecocardiograma:

OBS: imagens gentilmente cedidas pelo Dr Eduardo Alberto Castro Roque – especialista em cardiologia pelo Incor_HCFMUSP.

Desafio de ECG – resposta

Paciente de 46 anos procura o pronto socorro com queixa de palpitações há 1 hora.

ECG de entrada:TRN1sn1 819x1024 Desafio de ECG   resposta

Após administração de 6mg de adenosina EV em bolus, repetido o ECG do paciente:

TRN2sn1 812x1024 Desafio de ECG   resposta

Qual é a arritmia apresentada por esse paciente?

Sabendo que o paciente em questão apresentava ECG normal em avaliação prévia, o que há de diferente no ECG pós adenosina, e o que justifica essa alteração?

RESPOSTA

A arritmia apresentada pelo paciente é provavelmente a taquicardia por reentrada nodal.

No ECG pós adenosina podemos notar um prolongamento importante do intervalo PR (aprox. 320ms). Sabendo que o paciente não apresentava essa alteração previamente, o que poderia justificar essa alteração?

A adenosina é um nucleosídeo endógeno que reduz a frequência cardíaca sinusal (efeito cronotrópico negativo) e reduz a velocidade de condução do impulso pelo nó átrio-ventricular – NAV (efeito dromotrópico negativo). Sua ação é rápida, e é altamente efetiva para terminar um taquicardia supraventricular quando o NAV faz parte do circuito reentrante.

Em pacientes com taquicardia por reentrada nodal (TRN), geralmente a via anterior tem condução rápida com um longo período refratário, e a via posterior tem condução lenta e período refratário mais curto.

Alguns estudos sugerem que essa via rápida seja mais sensível ao efeito da adenosina do que a via lenta¹.

Assim, a dose utilizada de adenosina pode ter bloqueado somente a via rápida. Após resolvida a taquiarritmia, o paciente manteve condução anterógrada no NAV somente pela via lenta, o que justificaria o intervalo PR prolongado.

Referência

  1. Curtis AB, Belardinelli L, Woodard DA et al. Induction of Atrioventricular Node Reentrant Tachycardia With Adenosine: Differential Effect of Adenosine on Fast and Slow Atrioventricular Node Pathways. J Am Coll Cardiol 1997;30:1778-84.

 

Desafio de ECG

Paciente de 46 anos procura o pronto socorro com queixa de palpitações há 1 hora.

ECG de entrada:

TRN1sn1 Desafio de ECG

Após administração de 6mg de adenosina EV em bolus, repetido o ECG do paciente:

TRN2sn1 Desafio de ECGQual é a arritmia apresentada por esse paciente?

Sabendo que o paciente em questão apresentava ECG normal em avaliação prévia, o que há de diferente no ECG pós adenosina, e o que justifica essa alteração?

(resposta em 07/07/14)

Pcte com fibrilação atrial que passa a apresentar frequência cardíaca lenta e regular – em que pensar?

Dica rápida e importante no dia a dia: pcte que possui fibrilação atrial crônica e que chega para consulta ou no pronto-socorro com frequência cardíaca <50-60 bpm e regular – pensar em FA + BAVT. Exemplo: ecg de paciente com FA:

 Pcte com fibrilação atrial que passa a apresentar frequência cardíaca lenta e regular   em que pensar?

No pós-operatório imediato de troca valvar aórtica o pcte apresentou ritmo regular e lento no monitor cardíaco. O ecg revelou:

 Pcte com fibrilação atrial que passa a apresentar frequência cardíaca lenta e regular   em que pensar?

Nota-se que o ritmo é regular, com FC < 60 bpm e que não se visualiza ondas P. Como sabemos que o pcte apresentava FA previamente, fica fácil de chegar à conclusão de que se trata de uma FA com BAVT. Caso não tivéssemos ecg prévio do pcte seria difícil de diferenciar tal alteração de um ritmo juncional, por exemplo.

Dica: pctes que fazem procedimentos invasivos em valva aórtica (implante percutâneo de valva aórtica, troca valvar aórtica por cirurgia, etc) possuem um risco considerável de desenvolver distúrbios de condução já que o sistema de condução elétrica passa bem próximo ao anel valvar aórtico. Assim sendo, sempre vigiar o ecg para flagrar tais alterações.

onda t invertida gigante

Como suspeitar que o paciente pode ter hemorragia intracraniana pelo eletrocardiograma?

O eletrocardiograma é um dos mais importantes métodos complementares disponíveis na medicina. Além de dar informações importantes sobre as patologias cardíacas, ainda pode sugerir a ocorrência de acometimentos fora do coração. Um bom exemplo disto é a hemorragia intracraniana. Esta, provavelmente por induzir à grande liberação de catecolaminas, pode gerar no ecg o que chamamos de ondas T cerebrais. Tratam-se de ondas T negativas, geralmente com mais de 10 mm de amplitude, simétricas, muitas vezes acompanhadas de alterações do segmento ST e aumento do intervalo Qt. 

A única causa de ondas T negativas de grande amplitude ou gigantes é a hemorragia intracraniana? Não!

Causas de ondas T negativas gigantes:

1- insuficiência coronariana aguda

2- Lesões cerebrais agudas graves (ex: hemorragia intracraniana)

3- Feocromocitoma

4- Cardiomiopatia hipertrófica forma apical (Yamaguchi)

A seguir colocamos exemplo de onda T negativa gigante de etiologia isquêmica:

 Como suspeitar que o paciente pode ter hemorragia intracraniana pelo eletrocardiograma?

pixel Como suspeitar que o paciente pode ter hemorragia intracraniana pelo eletrocardiograma?