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Endocrinologia: 10 dicas que todo médico deveria saber

endocrinologia: imagem mostrando o nome diabetes e uma seringa de insulina
Escrito por Patricia Gadelha

Texto enviado pela Dra Patrícia Gadelha, especialista em endocrinologia pelo HC-FMUSP.

1- Hemoglobina glicada pode ser usada para diagnóstico de diabetes mellitus (DM)

Já há alguns anos a American Diabetes Association (ADA) validou a HbA1C (Hb glicada) como método diagnostico para DM desde que usando métodos laboratoriais certificados. Tem as vantagens de não precisar de jejum, ser um valor estável e por isso ser mais confiável em situações de estresse como internações. Valores > ou igual a 6,5% são diagnósticos de DM mas vale a pena ressaltar que não está validado para crianças e que sofre influências externas como anemias ou hemoglobinopatias.

Para maiores detalhes, leia este post e este post.

2- A droga de escolha para iniciar o tratamento de DM-2 é a metformina

Apesar de haver muita controvérsia quanto qual a melhor terapia de 2a linha para DM, não há dúvidas entre as sociedades de endocrinologia que a metformina deve ser a 1a opção terapêutica em monoterapia ou associação. É droga de alta eficácia, baixo risco de hipoglicemia, efeito neutro sobre peso, baixo custo e que já se mostrou efetiva em reduzir no mínimo desfechos microvasculares.

3- As 2 drogas que mostraram diminuir mortalidade geral e cardiovascular no DM-2 são a empaglifozina e o liraglutide.

Até 2016 havia ausência de estudos que demonstrassem efeitos específicos de antidiabéticos orais em diminuir desfechos primários de mortalidade geral e cardiovascular. Assim, se tratavam os diabéticos para reduzir HBA1C com a certeza de redução de eventos microvasculares, mas sem dados convincentes quanto a desfecho macro. Os trials EMPAREG (empaglifozina) e LEADER (liraglutide) mostraram que estas medicações possuem o potencial de diminuir mortalidade neste grupo de pacientes e portanto, hoje são drogas de escolha na endocrinologia para pacientes diabéticos com doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida.

4- A maioria dos antidiabéticos orais são contraindicados em pacientes com ClCr<30 mL/min

Com a exceção da Linaglipitina, as outras medicações orais não são oficialmente liberadas neste grupo de pacientes.

5- Todo paciente que usa metformina cronicamente deve dosar vitamina B12

Uso crônico de metformina pode levar a deficiência de vit B12, assim ela deve ser dosada periodicamente nesses pacientes, especialmente nos que desenvolvem anemia ou polineuropatia, já que a deficiência de B12 pode ser a causa da última ou pode ao menos agravar a polineuropatia sensitivo motora específica do DM.

6- Lembrar que várias endocrinopatias podem causar hipertensão arterial sistêmica secundária.

Importante lembrar das causas secundárias de hipertensão endócrina, porque muitas delas podem ser curadas cirurgicamente (feocromocitoma, hiperaldosteronismo, acromegalia), ou se não curadas, os pacientes ao menos podem ter o número de medicações anti-hipertensivas drasticamente reduzidas.

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Para ver os tipos e como investigar, leia este post.

7- Nem todo nódulo tireoideano precisa ser puncionado.

Na população geral, só há necessidade de punção dos seguintes nódulos:

  • sólidos > 1cm
  • mistos > 1,5 cm
  • espongiformes > 2cm
  • Não há necessidade de punção de nódulos puramente císticos independente do tamanho, a não ser para descompressão ou fins estéticos

Esses critérios não valem para familiares de 1o grau de pacientes com câncer de tireóide, nem aqueles pacientes que já tenham se submetido a radioterapia cervical, tireoidectomia parcial por câncer, mas essas, claramente, são exceções muito pontuais.

8- Pacientes usuários crônicos de amiodarona devem ter a sua função tireoideana monitorizada.

A toxicidade tireodiana da amiodarona ocorre por sua molécula ser rica em iodo, assim um único comprimido de 200mg de amiodarona tem 20x a quantidade de iodo de uma dieta habitual. A disfunção tireoidiana pode ocorrer em 15-30% dos pacientes que usam a droga. Dessa forma, é importante a monitorização periódica dos níveis de TSH e T4 livre e lembrar de suspeitar de hipertireoidismo induzido por amiodarona sempre que um paciente previamente controlado de uma taquiarritmia começar a apresentar descompensação do quadro sem causa aparente.

Para maiores informações, leia este post de endocrinologia.

9- NÃO há necessidade de dosar vitamina D rotineiramente para todos os pacientes

A 25 OH vitamina D ou colecalciferol é a conhecida vitamina D que vem sendo ultimamente dosada e reposta indiscriminadamente. A rigor, só há benefícios inequívocos da sua reposição para a saúde óssea e apenas para melhorar a densidade mineral óssea se os pacientes forem deficientes e tiverem baixa massa óssea por qualquer motivo. Assim, o grupo que deve ter essa vitamina dosada seria pacientes com:

  • osteoporose
  • IRC
  • síndromes de mal absorção intestinal
  • gestantes e lactantes
  • adultos com história de fraturas não traumáticas
  • indivíduos obesos ou em peri/pós operatório de cir bariátrica
  • uso de alguns medicamentos como glicocorticoides, anticonvulsivantes, antiretrovirais

10- NÃO há indicação de reposição de testosterona para todos os homens idosos

A reposição de testosterona só está indicada em homens não hipogonádicos que apresentem sintomas inequívocos de déficit de testoterona como disfunção erétil/ queda de libido ( e não apenas sintomas inespecíficos como fadiga, falta de energia, queda da performance muscular) ASSOCIADO a baixos níveis de testosterona (há divergência entre as sociedades mas no geral valores <250-300ng/dL justificam tratamento se sintomas).

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Patricia Gadelha

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