Emergências Miscelânia

Trombofilias: quando investigar? Que exames pedir?

Alexandre Soeiro
Escrito por Alexandre Soeiro

Uma das situações mais comuns na qual nos deparamos na prática clínica é a definição de quando e como investigar trombofilias em pacientes com eventos embólicos ou trombóticos. Para ajudar a responder essa pergunta, foi publicada recentemente uma revisão específica sobre o assunto. Os pontos mais importantes serão ressaltados abaixo:

Em quais pacientes com evento tromboembólico devo solicitar a investigação?

– Pacientes com menos de 50 anos sem nenhum fator provocativo identificado ou relacionado apenas a um fator causador fraco (cirurgia menor, redução de mobilidade, uso de anticoncepcionais);

– História familiar positiva para eventos (principalmente familiar de primeiro grau jovem);

– Evento tromboembólico recorrente;

– Comprometimento de local incomum (esplâncnico/cerebral).

Por quanto tempo devo anticoagular os pacientes?

– A princípio a anticoagulação é indicada por 3 meses;

– Após esse período, pacientes que apresentaram evento relacionado à grandes cirurgias, imobilização ou traumas, podem suspender a anticoagulação;

– Quando identificada trombofilia, a indicação é para o resto da vida;

– Em pacientes com primeiro evento sem fator causador relevante associado, orienta-se aplicar o escore DASH após 3 meses. Quando < 1 pode-se suspender a anticoagulação. Quando > 1, deve-se mantê-la indefinidamente;

– O escore DASH caracteriza-se por:

  • D=d-dímero alterado após parar a anticoagulação = +2 pontos
  • Idade < 50 anos = +1 ponto
  • Sexo masculino = + 1 ponto
  • Evento não associado à terapia hormonal = -2 pontos

Quando investigar trombofilias?

A orientação é realizar os teste somente após parar a anticoagulação na fase inicial;

A depender do medicamento anticoagulante, a orientação de suspensão antes da coleta dos exames é a seguinte:

  • Varfarina – 2 semanas
  • Novos anticoagulantes – 2 dias
  • Enoxaparina – 24 horas

Que exames devo solicitar?

– Os exames a serem solicitados são:

  • Mutação do fator V de Leiden
  • Protrombina mutante
  • Antitrombina III
  • Proteína C
  • Proteína S
  • Pesquisa de SAAF – Anticoagulante lúpico/Anticardiolipina/Beta2-glicoproteína-1

Referência: NEJM 2017;377 (12).

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Sobre o autor

Alexandre Soeiro

Alexandre Soeiro

Alexandre de Matos Soeiro

Médico Assistente e Supervisor da Unidade Clínica de Emergência - InCor (HCFMUSP).
Coordenador do Curso Nacional em Emergências Cardiológicas •
Coordenador da Liga de Emergências Cardiovasculares do InCor - HCFMUSP. •
Professor Convidado de Graduação do Terceiro, Quarto e Sexto Anos da FMUSP.
Médico Preceptor em Cardiologia - InCor - HCFMUSP - 2011.
Especialista em Cardiologia pela SBC.
Residência Médica em Cardiologia -InCor - HCFMUSP.
Especialista em Clínica Médica pela SBCM.
Residência em Clínica Médica - HCFMUSP.
Graduação em Medicina pela FMUSP.

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