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(off topic) 12 Dicas para um Infarto Feliz

 

Texto atribuído ao cardiologista Evandro Arthur e que já circula hà algum tempo na internet e que reflete hábitos perigosos. Serve como alerta e estímulo para reavaliação de nossa atitude.

 

1. Cuide de seu trabalho antes de tudo. As necessidades pessoais e familiares são secundárias.
2. Trabalhe aos sábados o dia inteiro e, se puder também aos domingos.
3. Se não puder permanecer no escritório à noite, leve trabalho para casa e trabalhe até tarde.
4. Ao invés de dizer não, diga sempre sim a tudo que lhe solicitarem.
5. Procure fazer parte de todas as comissões, comitês, diretorias, conselhos e aceite todos os convites para conferências, seminários, encontros, reuniões, simpósios etc.
6. Não se dê ao luxo de um café da manhã ou uma refeição tranquila. Pelo contrário, não perca tempo e aproveite o horário das refeições para fechar negócios ou fazer reuniões importantes.
7. Não perca tempo fazendo ginástica, nadando, pescando, jogando bola ou tênis. Afinal, tempo é dinheiro.
8. Nunca tire férias, você não precisa disso. Lembre-se que você é de ferro.
9. Centralize todo o trabalho em você, controle e examine tudo para ver se nada está errado. Delegar é pura bobagem; é tudo com você mesmo.
10. Se sentir que está perdendo o ritmo, o fôlego e pintar aquela dor de estômago, tome logo estimulantes, energéticos e anti-ácidos. Eles vão te deixar tinindo.
11. Se tiver dificuldades em dormir, não perca tempo: tome calmantes e sedativos de todos os tipos. Agem rápido e são baratos.
12. E por último, o mais importante: não se permita ter momentos de oração, meditação, audição de uma boa música e reflexão sobre sua vida. Isto é para crédulos e tolos sensíveis.”

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Atualização: Dabigatran contra indicado para Disfunção Renal Importante

Recentemente, a bula americana  do Pradaxa ( dabigatrana) foi atualizada. Novas recomendaçãoes orientam que pacientes com fatores de risco  para disfunção renal devem ter a função renal avaliada antes do início da medicação.

Naqueles pacientes com idade maior ou igual a  75 anos e nos que possuem clerance de creatinina < 50ml/min a função renal deve ser avaliada anualmente devido a possível necessidade de ajuste de dose.

 

Considerar reduzir  a dose para dabigatran 75 mg 2xd quando houver disfunção renal moderada associado ao uso de cetoconazol ( sistêmico) ou dronaderona tendo em vista a interação medicamentosa.
 

Está contra indicado Dabigatran na disfunção renal importante ( Cl Cr < 15-30 ml/min)

 

 

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RenalGuard System™: Dispositivo para prevenção de Nefropatia Induzida por Contraste

No American College of Cardiology que aconteceu em  2011, um novo dispositivo ganhou notoriedade na prevenção de Nefropatia Induzida por Contraste ( NIC).

Mais de 4 milhões de pessoas  submetem-se a procedimentos diagnósticos e terapêuticos que necessitam de infusão de contraste iodados. A NIC é uma complicação conhecida e  relativamente comum nesta população, prinicpalmente naqueles pacientes com disfunção renal prévia e outros fatores de risco.

Atualmente recomenda-se como medidas preventivas desde hidratação com solução salina até a infusão de solução de Bicarbonato de Sódio.

A idéia dispositivo denominado RenalGuard System™ é baseado nos resultados do PRINCE study que demonstrou que um débito urinário >=150ml/h reduziam os efeitos tóxicos do contraste.

O dispositivo é caracterizado por um circuito fechado constituído por um coletor que quantifica automaticamente o débito urinário ( Foley) e um sistema, também automático, de reposição de solução salina  evitando assim um balanço hídrico negativo e possibilitando o débito urinário > 300 ml/h.

 

 

No ACC 2011, o estudo Renal Insufficiency Following Contrast Media Administration Trial (REMEDIAL 2), randomizou 266 pacientes e avaliou  o novo sistema associado a hidratação com solução salina com objetivo de débito urinário >300ml/h + N- Acetilcisteina 1,5g/L + furosemida na doe máxima de 0,25mg/kg  comparado com  hidratação com solução de bicarbonato (3ml/kg 1 hora antes do procedimento e 1ml/kg por 6 horas após + N Acetil cisteina 1200mg 2x e 1,5g IV durante o procedimento). Os critérios de inclusão foram idade>=18 anos, ClCreatinina < =30ml/min/1,73m2 e /ou Mehran Score  >=11 . O desfecho primário foi creatinina aumentou mais de 0,3mg/dl nas primeiras  48h após o contraste e ocorreu 20,5% dos pacientes com bicarbonato e 11% no grupo RenalGuard com odds ratio de 0.47 (95% CI 0.24-0.92, p=0.025).

Porém, foi relatado no estudo uma maior freqüência de edema pulmonar no grupo do dispositivo embora a diferença não tenha sido significante.

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Vareniclina pode aumentar risco de doenças cardiovasculares

Alerta do FDA relatou que em subanálise de estudo com a vareniclina envolvendo 700 pctes houve aumento de IAM, revascularização miocárdica, angina e doença vascular periférica com o uso da medicação. Devido a isto um alerta será colocado nas embalagens da medicação daqui para frente. A vareniclina também já foi relacionada com eventos psiquiátricos (humor deprimido, ideação suicida, etc).

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ATENÇÃO: FDA Restringe Uso de Sinvastatina 80mg

 

Em alerta divulgado pelo  FDA ontem ( 08/06/11), a agencia regulatória americana  recomenda que não se utilize doses elevadas de sinvastatina (80mg) devido ao risco aumentado de dano muscular.

A comunicação foi baseada no estudo Study of the Effectiveness of Additional Reductions in Cholesterol and Homocysteine (SEARCH) que analisou mais 12 mil sobreviventes de eventos cardíacos e onde os que foram randomizados para utilização de sinvastatina 80mg, 52 desenvolveram miopatia comparado com apenas  1 paciente que estavam tomando a dose 20mg. Além disso 22 desenvolveram rabdomiolise quando tratados com doses elevadas enquanto a dose de 20mg não registrou nenhum caso.

A análise do FDA notou que o risco foi maior no primeiro ano de uso da medicação, nos pacientes mais idosos  e no sexo feminino.

A instituição recomenda que a sinvastatina não seja associada ao itraconazol, eritromicina. Claritromicina , “telithromicina”, anti retrovirais inibidores de proteases,, nefazadona , gemfibrozil, ciclosporina e danazol.

Outra recomendação é que a dose de sinvastatina 10mg não seja ultrapassada nos usuários de amiodarona, , verapamil e diltiazem. A dose de sinvastatina 20mg não pode ser maior em usuários de anlodipino e ranolazina.   

Portanto a dose de Sinvastatina 80 mg deve ser abandonada a não ser que o paciente esteja a utilizando a mais de 12 meses  sem evidências de Miopatia, e não deve ser iniciada em novos pacientes.

 

REFERÊNCIAS:

 

1-     http://www.fda.gov/Drugs/DrugSafety/ucm256581.htm

2 – http://www.theheart.org/article/1236231.do

 

 
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Mulher + framingham >10% = Alto risco = manter LDL<100

Já havia colocado isto no resumo do guideline americano de prevenção cardiovascular na mulher. Mas achei tão relevante que decidi publicar de novo da forma mais clara possível.

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Angiotomografia de coronárias não tem utilidade em pctes assintomáticos

Já é um tema bem batido, mas sempre vale a pena comentar. Postamos há alguns meses o resumo do guideline americano de prevenção cardiovascular. Nele a angiotc de coronárias é classificada como classe III quando usada em pctes sem sintomas cardiovasculares sugestivos de coronariopatia. Esta semana saiu mais um estudo que corrobora esta posição de AHA.

Estudo coreano que pegou 1.000 pctes submetidos a angiotc de coronárias e que tinham risco cardiovascular baixo a moderado (previsão de <20% de eventos nos próximos 10 anos). Achou-se então 1.000 pctes similares a estes para servirem de controle, os quais não eram submetidos a angiotc. Ou seja, o estudo não foi um trial randomizado. Os pctes eram entãio acompanhados por 18 meses. Neste período eram registrados os procedimentos adicionais aos quais os pctes eram submetidos (cate, teste ergométrico, etc), as medicações que eram iniciadas ou mantidas (aas, estatina, etc) e o surgimento de eventos cardiovasculares (IAM, morte, etc).

Achados do estudo:

- Exames adicionais foram muito mais frequentes no grupo da angiotc do que no grupo controle (20% x 1,4%).

- Avaliando-se apenas os primeiros 90 dias do estudo – a taxa de revascularização (percutânea ou cirúrgica) era bem mais elevada no grupo da angiotc mas isto perdeu significado estatístico após os 18 meses de seguimento.

- Os pctes com agiotc positiva usaram aas e estatina de forma mais frequente que os outros pctes (5 a 7x mais de forma geral)

- Os pctes confirmaram que eram de risco cardiovascular baixo – houve apenas 1 evento cardiovascular em cada grupo ao longo dos 18 meses

Limitações do estudo – não foi randomizado, não incluiu pctes de alto risco assintomáticos, o acompanhamento foi curto (apenas 18 meses enquanto que sabemos que em coronária crônica geralmente precisamos de seguimentos mais longos para ver dieferença de desfechos – >5 anos).

Ao observar que cada grupo teve apenas 1 evento ao longo de 18 meses vemos que , independente do que fosse feito no grupo intervenção, não haveria como isto gerar uma repercussão importante. 1 evento em 1.000 pctes dá uma incidência de 0,1% de eventos. Alguma intervenção que gerasse uma redução de 50% do risco de eventos (coisa que não existe na prática clínica – caso se consiga uma redução de 10% ou 20% já é de grande monta em pctes crônicos) diminuiria esta incidência para 0,05% – ou seja, um NNT de 2.000 pctes. Ou seja, inviável.

Quem sabe no futuro pegando um grupo de pctes com risco cardiovascular mais elevado, acompanhando estes pctes por um período mais longo e randomizando o trabalho alguém consiga achar alguma diferença. Pouco provável.

Referência: McEvoy J, Blaha M, Nasir K, et al. Impact of coronary computed tomographic angiography results on patient and physician behavior in a low risk population. Arch Intern Med 2011; DOI:10.1001/archinternmed.2011.204.

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Tabagismo – Abordagem farmacológica

No artigo anterior falamos a respeito do diagnóstico de sindrome de abstinência, quantificação de dependência à nicotina e abordagem cognitivo compartimental. Comentaremos hoje sobre terapia medicamentosa.

  • Indicações ( 2 ou mais critérios):
  1. Fumantes pesados –  ≥20 cigarros/ dia;
  2. Aqueles que fumam o primeiro cigarro em até 30 min após acordar;
  3. Escore de Fargerstrom  ≥ 5;
  4. Falhas em tentativas anteriores sem medicamentos ( sindrome de abstinência)
  • Terapia de Reposição de Nicotina: Fornecem nicotina com objetivo de reduzir  os principais sintomas de abstinência.  Deve-se parar de imediato de fumar.
    • Goma de nicotina:  Complexo de resina e nicotina tamponados em pH alcalino: aumenta absorção na mucosa oral. Deve ser mastigada lenta e intermitentemente para absorção lenta da nicotina.

Risco de dependência crônica é mínimo (não produz mesma satisfação de fumar).

- Desvantagem:  Posologia rigorosa; Sabor desagradável.

- Contraindicações: Incapacidade de mascar; úlceras péptica; ≤ 15 dias  após IAM e AVC.

- Reações  adversas: problemas dentais,  fadiga muscular do maxilar, goma aderida à dentadura,  irritação da boca ou garganta,  úlceras orais,

 Hipersalivação,  sintomas gastrointestinais.

-Apresentações: Nicorette 4mg ( > 20 cig/ dia)  e 2mg ( <20cig/dia) . Sabores Freshmint, Menta e Freshfruit.

- Orientações: Evitar ingestão de bebidas ácidas minutos antes da mastigação ( evitar diminuição da absorção). Deve se usar 8 a 15 mg por dia  por 3 meses e reduzir gradualmente.

Como usar a Goma? ( orientações ao paciente)       

1. Masque a goma lentamente até que o sabor se torne acentuado.

2. Quando isso acontecer, coloque a goma entre a bochecha e os dentes.

3. O ato de mascar a goma libera a nicotina terapêutica, que é então absorvida por meio do revestimento da boca.

4. Quando o sabor ficar suave, masque a goma novamente.

  • Adesivos Transdermicos de Nicotina: Liberação lenta e contínua de nicotina.

-Apresentações: Niquitin – 7, 14, e 21 mg.

-Posologia:

-Orientações: Usar pelo menos 16 horas ( preferencialmente usar por 24 horas). Retirar para dormir em caso de insônia e reaplicar quando acordar.

  • Pastilhas de nicotina: Niquitin 2mg ( para os que fumam 1 cigarro após 30min de acordar)  e 4 mg ( 1 cig em até 30 min após acordar).

-Posologia:

-Orientações: Não mastigar. Aguardar dissolver na boca.  Redução gradual.

  • Formulações de liberação rápida de nicotina: ( risco de dependência)

- spray nasal

- inaladores

 -comprimidos sublinguais

  • Excesso de nicotina: náuseas,  taquicardia, hipertensão arterial
  • Bupropiona: Foi o primeiro medicamento sem nicotina para o tratamento de tabagismo ( redução  dos sintomas da síndrome de abstinência). É um inibidor  fraco da recaptação  neuronal da norepinefrina, dopamina e serotonina (os 2 primeiros mais relacionados à cessação do tabagismo).
    • Apresentação: 150mg /comprimido
      • Nomes comerciais: Zyban, Wellbutrin. Genéricos : BUP, Zetron
    • Posologia:

 - 150 mg/dia – 3 dias

- a partir do 4º dia: 150 mg 2x/dia, com intervalo mínimo de 8 horas

- Manter por 12 ou 24 semanas.

  •  Efeitos colaterais: insônia, boca seca, termor e sintomas gastrointestinais.
  • Contra – indicações: Absoluta- risco de convulsões ( antecedente de convulsão, epilepsia, convulsão febril na infância, anormalidades conhecidas no EEG) alcoolismo, uso de IMAO,  tumor de sistema nervoso central e traumatismo craniano. Relativas- gestação e amamentação.
  • Orientações: Interromper o uso do cigarro após 8 a 10 dias de tratamento.Pode ser útil nos pacientes com desejo de perda de peso e sintomas de depressão. Pode ser usado em combinação com terapia de reposição de nicotina. Suspender ingestão de bebidas alcoólicas.
  • Vareniciclina: Agonista parcial dos receptores nicotínicos .

-Reduz o desejo compulsivo e sintomas de abstinência (atividade agonista)

-Reduz efeitos de recompensa e reforço (atividade antagonista)

-Eventos adversos mais relatados: náusea, cefaléia, insônia e sonhos anormais.

- Mais eficaz do que a bupopriona

  • Apresentações: CHAMPIX.
  • Kit Início de Tratamento

11 comprimidos de 0,5 mg e 42 comprimidos de 1 mg.

  • Kit Manutenção de Tratamento

        112 comprimidos de 1 mg.

  • Kit Tratamento de Reforço

168 comprimidos de 1 mg.

  • Kit Tratamento Completo

11 comprimidos de 0,5 mg e 154 comprimidos de 1 mg.

  • Posologia:

- 1 ao 3 dia: 0,5mg 1xd

- 4 ao 7 dia:0,5 mg 2xd

-  Do 8 dia até o fim do tratamento: 1 mg  2xd

Duração de tratamento: 12 ou 24 semanas

(P acientes que tiveram sucesso no tratamento de 12 semanas: recomenda-se um tratamento adicional de mais 12 semanas utilizando-se 1 mg a cada 12 horas.

Pacientes que não tiveram sucesso no tratamento de 12 semanas: devem procurar outro tipo de ajuda)

  •  Contra indicações: Depressão grave,  distúrbios graves do humor, gestação, amamentação.
  • Efeitos adversos: náuseas, dispepsia, sonhos anormais e distúrbios do sono.

REFERÊNCIAS:

  1. Issa, Jaqueline Scholz. Tabagismo e Doenças Cardiovasculares, 1 ed, São Paulo – 2007
  2. Nicolau, José Carlos. Condutas práticas em cardiologia. 2010
  3. Gillian M. Keating and M. Asif A. Siddiqu. CNS Drugs 2006; 20 (11): 945-960
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Estudo NAVIGATOR – o papel do BRA para pacientes com intolerância à glicose

O estudo NAVIGATOR foi um estudo realizado para avaliar se drogas que bloqueiam o sistema renina-angiotensina aldosterona (no caso, bloqueador do receptor de angiotensina – BRA) poderiam reduzir o risco de eventos cardiovasculares ou o risco do novo diagnóstico de diabetes em pacientes com intolerância à glicose.

Publicado no New England J Med, foi um estudo prospectivo, duplo-cego, randomizado, avaliando 9.306 pacientes com intolerância à glicose (glicemia após 2h de 75g glicose oral entre 140 e 200mg/dL) e doença cardiovascular estabelecida ou com fatores de risco cardiovasculares.

Os pacientes foram randomizados para receber Valsartan (até 160mg/dia) ou placebo, ambos associados à mudança de estilo de vida.

Foram seguidos por 5 anos para avaliar o diagnóstico de DM – incidência de 33.1% no grupo Valsartan X 36,8% no grupo placebo (HR 0,86, p<0,001).

Em relação a eventos cardiovasculares (composto de morte por causa CV, IAM não fatal, AVC não fatal, angina instável, hospitalização por IC, revascularização arterial), não houve diferença entre os grupos.

Os autores concluem, então, que o uso de Valsartan levou a uma redução relativa de 14% na incidência de DM em 5 anos. O mecanismo envolvido nessa redução de risco ainda não é bem conhecido. Estudo lançado esse ano no Diabetes Care mostrou que o uso de Valsartan pode aumentar a liberação de insulina estimulada por glicose e a sensibilidade da insulina.

Apesar do grupo placebo ter mais pacientes com síndrome metabólica e maior uso de betabloqueadores e diuréticos, o que poderia influenciar no resultado, após ajuste de ambos na análise dos dados, os benefícios do Valsartan se mantém. Assim, os BRAs (como o Valsartan) e IECAs continuam sendo as drogas de preferência para utilização em pacientes hipertensos com doença ou risco cardiovascular pré-existentes.

Referência: The NAVIGATOR Study Group. Effect of Valsartan on the Incidence of Diabetes and Cardiovascular Events. N Engl J Med 2010;362:1477-90.

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Tabagismo – Abordagem inicial.

Os cardiologista são acostumados a tratar Hipertensão arterial, doenças coronárias, miocárdiopatias e outros temas relacionados,  mas muitas vezes não recebemos treinamento e negligenciamos a abodagem ao tabagismo.

Importância:

  • 1/3 da população mundial fuma ( 1,3 bilhões de pessoas);
  • A cada dia 100 mil pessoas tornam-se fumantes;
  • Estimativas indicam que 18,8% da população brasileira é fumante;
  • O tabagismo é responsável por 5milhões de mortes por ano;
  • No brasil, 23 pessoas morrem por hora decorrente ao tabagismo
  • 90% dos casos de câncer no pulmão (entre os 10% restantes, 1/3 é de fumantes passivos);
  • 85% das mortes são causadas por bronquite e enfisema;
  • 45% das mortes causadas por doença coronariana na faixa etária abaixo dos 60 anos;
  • 45% das mortes por infarto agudo do miocárdio na faixa etária abaixo de 65 anos;
  • 30% das mortes decorrentes de outros tipos de câncer (de boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga e colo de útero);
  • 25% das mortes causadas por doença coronariana – angina e infarto do miocárdio;
  • 25% das doenças vasculares (entre elas, derrame cerebral)
  • Um em cada 2 fumantes de longa duração morrerão prematuramente devido ao tabagismo.

Abordagem:

 O tabagismo está relacionado aos efeitos deletérios da nicotina ao sistema nervoso central.  O instrumento mais utilizado para avaliação do grau de  dependência à nicotina é o escore de Fagerström ( 6 perguntas ao paciente).

Escore de Fargerström:

Assinale a opções mais adequadas a você.

Quanto tempo depois de acordar você  fuma o primeiro cigarro do dia?

( ) Nos primeiros 5 minutos                        

3

( ) De 6 a 30 minutos                                    

2

( ) De 31 a 60 minutos                                  

1

( ) Mais de 60 minutos                                  

0

Você fica incomodado por não poder fumar em determinados locais, como ambiente de trabalho, restaurantes, aviões, hospitais, igreja, cinema etc.?

( ) Sim                                                         

1

( ) Não                                                            

0

De qual cigarro você mais detestaria ter de desistir?

( ) O primeiro da manhã                               

1

( ) Todos os outros                                           

0

Quantos cigarros você fuma por dia?

 

( ) 10 ou menos                                            

0

( ) 11-20                                                       

1

( ) 21-30                                                       

2

( ) 31 ou mais                                               

3

 

 

Você fuma mais durante as primeiras horas depois de acordar do que durante o restante do dia?

( ) Sim                                                          

1

( ) Não     

                                                     

0

Você fuma mesmo quando está  doente a ponto de ficar de cama a maior parte do dia?

 

 

( ) Sim                                                          

1

( ) Não                                                          

0

 

 

E SCALA DE DEPENDÊNCIA

0-2 muito baixa

3-4 baixa

5 média

6-7 elevada

TOTA L:

Outra entidade que deve ser reconhecidas  pelos profissionais de saúde é a sindrome de abstinência à nicotina que é  uma importate causa de falha no abandono do tabagismo.

Sindrome de Abstinência à Nicotina ( CID F17.2):

Síndrome de abstinência (4 ou mais) dos seguintes:

• Humor disfórico ou depressivo ( aparecimento em até 4 semanas)

• Insônia ( aparecimento em até 4 semanas)

• Irritabilidade, frustração, raiva ( aparecimento em até 4 semanas)

• Ansiedade ( pode aumentar ou diminuir)

• Dificuldade de concentração ( aparecimento em até 4 semanas)

• Inquietação ou impaciência ( aparecimento em até 4 semanas)

• Diminuição do ritmo cardíaco

• Aumento de apetite ou ganho de peso ( geralmente  após 10 semanas)

 

A abordagem inicial ao tabagismo deve iniciar com o diagnóstico do tabagismo. Na consulta o profissional deve perguntar se o paciente fuma. Caso o paciente seja um tabagista, deve-se iniciar estratégias terapêuticas que incluem abordagem  cognitivas comportamentais  e medicamentosas ( atuam na dependência da nicotina).

Intervenções Cognitivos Comportamentais:

  • Abordagem Mínima: Conversa breve com objetivo de avaliar o desejo do paciente em parar de fumar e estimular a cessação do tabagismo.

(mais fácil e prática, porém menos efetiva)

  • Abordagem intensiva  ( PAAPA):  (individualizada e mais eficaz, porém menos prática e mais demorada)
    • Perguntar: Você fuma? Há quanto tempo?
    • Avaliar: Quantos cigarros por dia ? Já parou de fumar? Teve sintomas de abstinência? Qual motivo da recaída? Tem vontade de parar de fumar nos próximos 30 dias?
    • Aconselhar: Enfatizar o quanto é importante e benéfico  parar de fumar. Motivar sempre.
    • Preparar:  Questionar se o paciente pode marcar uma data próxima para parar de fumar. Prescrever suporte farmacológico caso seja necessário.
    • Acompanhar: O acompanhamento deve ser contínuo durante 1 ano. O intervalo entre as consultas deve ser semanalno primeiro mês seguida de quinzenal, mensal, e trimestral.

 

Nos próximos artigos discutiremos abordagem farmacológica e suas indicações.

REFERÊNCIAS:

  1. Issa, Jaqueline Scholz. Tabagismo e Doenças Cardiovasculares, 1 ed, São Paulo – 2007
  2. ASH Fact Sheet on Smoking Statistics: Illness and death. (http://www.ash.org.uk/information/facts-and-stats/fact-sheets )
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